Entre poderosos e proletários
O Homem do Terno Branco (Alexander Mackendrick, 1951)
Antes de chegar à história de O Homem do Terno Branco, o diretor e roteirista Alexander Mackendrick tinha um tema em mente: “a responsabilidade política e social dos cientistas que desenvolveram a fissão nuclear sem considerar os fins para os quais suas pesquisas poderiam ser aplicadas” (2024, p. 132-133). O tema perturbava o realizador. Seus produtores sabiam que era um assunto espinhoso, sobretudo para um filme de entretenimento no modelo adotado pelo Estúdio Ealing, imortalizado graças ao gênero comédia. Para seguir com a empreitada, Mackendrick aproveitou uma peça de um primo seu, Roger MacDougall, na qual a personagem principal não era o inventor de um tecido indestrutível e à prova de sujeira, mas a filha do dono da fábrica em que esse inventor trabalhava. O cineasta fez da subtrama da peça o centro de sua história com forte apelo social.
O tecido indestrutível passa de joia da coroa ao grande problema dos poderosos da indústria. Se um produto assim for criado, concluem os patrões, a produção cairá drasticamente. O capitalismo precisa de bens não duráveis; a roda da economia serve-se da destruição daquilo que a alimenta. E não são apenas os proprietários das fábricas que enxergam o “problema”: ao longo de O Homem do Terno Branco, os operários ficam sabendo da invenção revolucionária e concluem que, se levada à frente, acabará com o emprego da categoria. Os alienados não conseguem enxergar que o problema é outro, anterior, atados como estão. A sátira de Mackendrick sobre o mundo pós-bomba atômica é inegavelmente política.



